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Ansiedade infantil: quando procurar ajuda?

Foto do escritor: Elaine Hames
Elaine Hames
9 de set.
4 min de leitura

A ansiedade faz parte da infância. Sentir medo diante de uma situação nova, ficar preocupado antes de uma prova, ter dificuldade para se separar dos pais em determinados momentos ou sentir insegurança diante de mudanças são experiências que podem acontecer ao longo do desenvolvimento.


Mas quando a ansiedade começa a aparecer com muita frequência, intensidade ou passa a interferir na rotina da criança, pode ser importante olhar para ela com mais atenção.


Para muitos pais, a dúvida é justamente essa: como saber quando a ansiedade do meu filho faz parte do desenvolvimento e quando é hora de procurar ajuda?



Como a ansiedade pode aparecer nas crianças?


Nem sempre uma criança consegue dizer: “Estou ansiosa”.

Dependendo da idade, ela pode nem conseguir identificar ou explicar exatamente o que está sentindo. Por isso, a ansiedade infantil muitas vezes aparece através do comportamento, do corpo ou de mudanças na rotina.


Alguns sinais podem incluir:

  • medos ou preocupações frequentes

  • necessidade constante de confirmação dos pais

  • dificuldade para se separar dos pais

  • irritabilidade ou choro frequente

  • dificuldade para dormir ou medo de dormir sozinho

  • dores de barriga, dores de cabeça ou outros desconfortos físicos sem uma causa médica aparente

  • dificuldade para ir à escola ou participar de determinadas atividades

  • preocupação excessiva em cometer erros

  • dificuldade para lidar com situações novas

  • evitar pessoas, lugares ou atividades por medo ou preocupação

  • mudanças no comportamento ou nas relações


Um sinal isolado não significa necessariamente que uma criança tenha um transtorno de ansiedade. É importante considerar a idade, o momento que ela está vivendo, a frequência e a intensidade desses comportamentos.


Quando a ansiedade passa a ser uma preocupação?


Uma das coisas mais importantes é observar o quanto a ansiedade está interferindo na vida da criança.


Por exemplo, uma criança pode ter medo de participar de uma apresentação na escola e ainda assim conseguir realizá-la. Outra pode ficar tão ansiosa que começa a evitar a escola, apresenta sintomas físicos ou deixa de participar de atividades de que antes gostava.


Também vale prestar atenção quando os medos e preocupações começam a limitar experiências importantes para a idade da criança.


Algumas perguntas podem ajudar os pais a observar:

A ansiedade está impedindo meu filho de fazer coisas que gostaria ou precisa fazer?

Está interferindo na escola, no sono, nas amizades ou na rotina familiar?

As preocupações parecem muito intensas ou difíceis de controlar?

Meu filho está evitando cada vez mais situações por causa do medo?

Essas dificuldades estão persistindo ou aumentando com o tempo?


Quando a resposta para algumas dessas perguntas é sim, pode ser importante buscar uma avaliação profissional.


Evitar tudo o que causa ansiedade ajuda?


Quando vemos um filho ansioso, é natural querer protegê-lo daquilo que está causando desconforto. Em alguns momentos, acolher e oferecer segurança é exatamente o que a criança precisa. Mas quando a solução passa a ser sempre evitar aquilo que provoca ansiedade, o medo pode acabar se fortalecendo.


A criança pode começar a aprender que só consegue se sentir segura quando evita determinada situação. Por isso, ajudar uma criança com ansiedade não significa simplesmente dizer “não precisa ter medo”, mas também não significa forçá-la a enfrentar situações para as quais ainda não está preparada.


O objetivo é ajudá-la, gradualmente, a compreender o que sente e desenvolver recursos para lidar com essas situações de forma mais segura.


Como os pais podem ajudar?


O primeiro passo é criar espaço para que a criança possa falar sobre aquilo que sente sem se sentir julgada. Em vez de tentar eliminar imediatamente o medo, os pais podem demonstrar curiosidade e acolhimento.


Perguntas como “O que está te preocupando?” ou “O que você acha que pode acontecer?” podem ajudar a criança a começar a identificar e colocar em palavras aquilo que está sentindo.


Também é importante manter rotinas previsíveis, ajudar a criança a reconhecer suas emoções e incentivar, aos poucos, experiências que aumentem sua confiança e autonomia.


Cada criança, porém, reage de uma maneira diferente. O que funciona para uma pode não funcionar para outra.


Quando procurar ajuda profissional?


Não é necessário esperar que a ansiedade se torne muito intensa para conversar com um profissional.


Quando os pais percebem mudanças importantes no comportamento, sofrimento emocional ou dificuldades que estão interferindo na rotina da criança, uma avaliação pode ajudar a compreender melhor o que está acontecendo.


Na psicoterapia infantil, o objetivo não é simplesmente fazer com que a criança “pare de sentir ansiedade”. A ansiedade é uma emoção humana e também tem uma função importante.


O trabalho terapêutico pode ajudar a criança a reconhecer o que está sentindo, compreender seus medos e preocupações, desenvolver estratégias de regulação emocional e construir recursos para enfrentar situações difíceis com mais segurança.

Dependendo da idade, brincadeiras, jogos, desenhos e outros recursos terapêuticos podem fazer parte desse processo, permitindo que a criança expresse experiências e emoções que ainda são difíceis de colocar em palavras.


A participação dos pais também pode ser importante. A orientação parental ajuda a família a compreender melhor a ansiedade da criança e a encontrar formas de apoiá-la no dia a dia sem reforçar, involuntariamente, seus medos e comportamentos de evitação.


Cada criança precisa ser compreendida individualmente

Não existe uma única forma de a ansiedade aparecer na infância.

Por trás de um comportamento que parece birra, irritabilidade, dependência ou recusa, por exemplo, pode existir uma criança tentando lidar com uma emoção que ainda não consegue compreender ou expressar.


Por isso, mais importante do que olhar apenas para o comportamento é tentar compreender o que aquela criança pode estar comunicando através dele.

Se você percebe que a ansiedade está interferindo na rotina, nas relações, na escola ou no bem-estar do seu filho, buscar orientação profissional pode ser um primeiro passo para compreender melhor o que ele está vivendo.


Elaine Hames

Psicóloga e psicoterapeuta brasileira em Londres

Psicoterapia para crianças e adolescentes

Atendimento presencial em Fulham, em português e inglês

 
 
 

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